
Ciência da Meditação
Grande parte do meu trabalho ao longo dos últimos 15 anos tem sido dedicada a compreender a ciência, a história e a filosofia das práticas meditativas. Este aprofundamento começou com um estudo sobre os efeitos da meditação e do ioga em reclusos no Reino Unido, em colaboração com a Prison Phoenix Trust.Quando os resultados do estudo foram anunciados publicamente numa palestra no St John’s College, em Oxford, o ator Jeremy Irons encontrava-se na audiência (é patrono da Prison Phoenix Trust).
Na sequência desse trabalho, escrevi The Buddha Pillcom a psicóloga clínica Catherine Wikholm, obra que foi traduzida para várias línguas, como o neerlandês, e português. Algumas das ideias do livro foram posteriormente aprofundadas numa série de artigos académicos sobre os efeitos pró-sociais da meditação, os mecanismos de expressão genéticaassociados à meditação, ou as diferentes formas como as pessoas podem reagir à prática meditativa.
Tornei-me cada vez mais consciente de equívocos e erros frequentes na forma como compreendemos a meditação e, em colaboração com David Brazier e Mansur Lalljee, editei The Oxford Handbook of Meditation, com capítulos de mais de 40 especialistas sobre a ciência, a história, a filosofia, a antropologia e as aplicações clínicas da meditação. Dou regularmente palestras e entrevistas sobre o meu trabalho nesta área.
Algumas das minhas entrevistas preferidas são diálogos dinâmicos com outros autores sobre meditação, como Pierce Salguero e Ron Purser.
Escrevi também comentários críticos sobre vários aspetos da ciência da meditação, como a sua utilização com crianças e as questões éticas relacionadas com a sua adaptação cultural.Escrevi ainda um comentário crítico sobre a visão de Sam Harris acerca da meditação e do ateísmo, Am I an Illusion?
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Variedades de Experiências de Possessão
As experiências de possessão espiritual são frequentemente percecionadas de forma negativa: estar possuído significa perder o controlo ou, em algumas religiões, ter uma entidade de natureza maligna a assumir o controlo do corpo e das ações. No entanto, os possuídos podem também ser vistos como canais positivos para diversos agentes espirituais, incluindo humanos falecidos, divindades da natureza ou seres semelhantes a deuses, ou ainda o Espírito Santo.
Quais são as características das experiências de possessão? Existem elementos comuns na forma como são vividas e expressas em diferentes culturas e tradições espirituais? E será possível identificar traços psicológicos específicos nos indivíduos possuídos? Estas são, em grande medida, questões ainda em aberto que foram exploradas neste projeto. Num dos estudos, analisámos as características cognitivas, de personalidade e mentais de indivíduos que experienciam possessão de forma regular(Mental Health and Possession).
Recorremos também a um estudo de caso para aprofundar as dificuldades de categorizar estas experiências à luz da nossa compreensão atual da doença mental.Pode encontrar aqui um breve resumo deste estudo aqui.
Produzimos ainda um pequeno vídeo sobre este projeto, com imagens dos rituais afro-brasileiros a partir dos quais recolhemos dados..
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Psicologia do Ateísmo
Comecei a trabalhar na psicologia do ateísmo no início da minha carreira académica, graças ao meu orientador de doutoramento em Oxford, o Professor Mansur Lalljee. Como o foco do meu DPhil era a psicologia da espiritualidade alternativa, disse-me que precisava de um grupo de comparação de 'pessoas normais'. 'E quem seriam essas pessoas?', perguntei. 'Ateus, claro!'
Para além do Professor Lalljee, devo muito ao escritor Fernando Pessoa pelas suas reflexões sobre o ateísmo no início do Livro do Desassossego: 'Nasci num tempo em que a maioria dos jovens perdera a crença em Deus, pela mesma razão por que os mais velhos a tinham tido: sem saber porquê'. As ideias de Pessoa levaram-me a desenvolver a Escala da Crença na Ciência e a Hipótese de Substituição de Crenças.
Resumi parte da investigação sobre a psicologia do ateísmo e as minhas próprias perspetivas neste capítulo: The Psychology of Atheism, que sugere que pessoas não religiosas tendem a adotar outras crenças que desempenham funções semelhantes às crenças religiosas, nomeadamente na atribuição de significado e na redução da ansiedade. Explorei este tema com a antropóloga Sara Rahmani, analisando como alguns ateus se sentem atraídos pela crença nos poderes da meditação mindfulness. Estudei também de que forma narrativas científicas podem (ou não) ajudar a aliviar o stress agudo.
Em conjunto com uma vasta equipa interdisciplinar, realizámos um grande inquérito internacional sobre as crenças dos ateus (Understanding Unbelief) e produzimos, com a cineasta Ariane Porto, um documentário sobre o mesmo tema, no Brasil, que inclui imagens da última igreja ativa do Positivismo no mundo, originalmente fundada por Auguste Comte no século XIX.
Por fim, para os interessados em peregrinações, desenvolvi trabalho sobre ateus e agnósticos que percorrem o Caminho de Santiago, no norte de Espanha.
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Neurociência da Religião
O que acontece no cérebro quando pensamos em ideias espirituais? E que áreas do cérebro são mais ativadas quando meditamos sobre uma imagem religiosa enquanto sentimos dor?
Tradições religiosas em todo o mundo — desde faquires indianos deitados sobre camas de pregos até ao martírio silencioso de santos cristãos — sugerem que a fé ou determinadas técnicas espirituais podem aliviar a dor ou reduzir a sensibilidade à mesma. Em conjunto com especialistas em dor, neurocientistas e filósofos, conduzi um estudo com fMRI para testar os efeitos da crença religiosa na atenuação da dor (um estudo de fMRI que mede a analgesia potenciada pela religião enquanto sistema de crenças).
Os resultados mostraram que a crença pode, de facto, aliviar a dor, sobretudo através de um processo de reavaliação (ou seja, ao enquadrar a dor num contexto com significado). Pode também ler sobre este estudo no The Guardian ou no Sunday Daily Mail.
Desenvolvi trabalho adicional sobre dor e religião no local de peregrinação de Lourdes, para o qual produzimos um vídeo. Pode também ler um artigo sobre este trabalho aqui.
Nos últimos 15 anos, alguns psicólogos e neurocientistas sugeriram que as ideias espirituais são processadas pela parte da mente mais intuitiva e menos racional. Realizámos várias experiências sobre este tema, incluindo com estimulação cerebral, e não encontrámos evidência de que ideias espirituais, ou pessoas religiosas, recorram mais à intuição do que à razão.
A ciência do juízo moral e a forma como o cérebro processa decisões morais têm atraído grande atenção nas últimas duas décadas. Também desenvolvi trabalho nesta área, analisando a base neural dos juízos morais e como um tipo de julgamento moral utilitarista pode levar a uma menor empatia pelos outros.
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Cognition, vol 134
The neural basis of intuitive and counterintuitive moral judgment
Social Cognitive and Affective Neurosciences, vol 7
An fMRI study measuring analgesia enhanced by religion as a belief system
PAIN, vol 139(2)

Psicologia da Espiritualidade Moderna
Grande parte da espiritualidade moderna emergiu do que anteriormente se designava por movimento New Age. Ideias como confiar em si próprio e explorar a realidade interior através de orientação interna (bastante distintas das propostas das tradições religiosas) tornaram-se hoje comuns.
Durante o meu doutoramento em Oxford, passei algum tempo a frequentar centros New Age, sessões de channeling e rituais pagãos. O meu objetivo inicial era investigar de que forma as práticas espirituais modernas alteravam a cognição individual mas, ao longo do tempo, fui-me interessando por outras questões — serão os perfis de personalidade destas pessoasalgo invulgares? Tendem a percecionar mais coincidênciasentre acontecimentos da vida do que outras pessoas? E serão as práticas espirituais responsáveis por mudanças nas pessoas ou apenas reforçam disposições cognitivas e traços de personalidade já existentes?
Explorei também de que forma a maneira como pensamos sobre as histórias mais importantes da nossa vida muda consoante as nossas crenças sejam religiosas, espirituais ou ateias..
Este trabalho levou-me igualmente a interessar-me pelas teorias da conspiração. Há alguns anos, o romance O Código Da Vinci tornou-se um bestseller e foi adaptado ao cinema. Vi um documentário sobre pessoas que acreditavam efetivamente nas teorias da conspiração apresentadas no livro. Da Vinci Code Em conjunto com outros colegas, desenvolvi uma experiência para compreender o que levava as pessoas a acreditar nessas ideias. Concluímos que o principal fator era a ignorância histórica.
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Psicologia da Crença
As nossas vidas estão permeadas por crenças, conscientes ou inconscientes. O meu trabalho tem explorado a diversidade de crenças — religiosas, espirituais e seculares — e a forma como estas influenciam o nosso quotidiano. Parte desta investigação analisou como as crenças podem ter implicações na saúde e na cura, na forma como lidamos com o stress, e na maneira como experienciamos o luto.
Por outro lado, as crenças podem também afetar-nos negativamente de várias formas: verificámos, por exemplo, que quando ateus atribuem elevado valor a determinados objetos, sentem mais ansiedade ou depressão quando esses objetos são destruídos.
Compreender crenças de culturas diferentes da nossa não é tarefa fácil, e até especialistas podem cometer erros ao tentar identificar semelhanças entre sistemas de crença ou ao considerar a espiritualidade como uma característica universal do ser humano.
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